quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Consulta Puerperal de Enfermagem


A chegada de um bebê representa uma grande mudança em todos os aspectos da vida de uma mulher – físico, emocional, social, mental. Nesse contexto o profissional enfermeiro entra, visando um atendimento integral e humanizado à mulher e ao recém-nascido, como parte de uma equipe transdisciplinar de atendimento ao puerpério.

Durante a consulta o profissional enfermeir@ encontra-se num local de escuta e acolhimento, possibilitando a formação de um vínculo com aquela mulher, fundamental para o cuidado e a prevenção de intercorrências ligadas ao aleitamento, pós-parto ou pós cirúrgico, cuidados com o bebê ou mesmo relacionadas ao próprio puerpério.

Os cuidados referentes à consulta de enfermagem incluem: avaliação da saúde da mulher e sua recuperação, involução uterina, avaliação de períneo (laceração ou episiotomia) ou cicatriz cirúrgica escuta da sua experiência de parto e maternagem até ali, trabalhando no empoderamento e autonomia dessa mulher para os cuidados. Essa avaliação permite, também, estar atento a sinais de risco para saúde mental e necessidades de intervenções em momento oportuno. Manejo do aleitamento materno, assim como reforço de sua importância para saúda do bebê e da mulher e orientações pertinentes.

Quanto ao bebê é avaliado seu bem-estar geral, eficácia da amamentação, possíveis fatores de risco (desidratação, eliminações fisiológicas, febre, reflexos, estado comportamental etc.), avaliação de icterícia, orientação quanto a cuidados gerais e higiene, além de orientações sobre as dúvidas da família acerca desses cuidados.

A consulta puerperal, para além da parte prática, caracteriza-se pela participação ativa de ambas as partes – puérpera e enfermeir@, com troca de experiências, e foco na educação  em saúde, prevenção de intercorrências e/ou intervenção precoce quando necessário, com encaminhamentos necessários em momento oportuno, além da formação de um vínculo entre o profissional e a família.

O cuidado da Enfermagem Materno Infantil visa a promoção de cuidados de qualidade às mães e bebês num momento que é muito esperado, mas ao mesmo tempo de extrema delicadeza na vida das famílias. Para isso baseia-se em evidências científicas atuais e de qualidade e recursos terapêuticos apropriados para oferecer uma assistência segura e adequada.  


 Luciana Morais

Enfermeira Materno Infantil

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Outubro Rosa e Azul

 


o mês de outubro celebramos o mês da conscientização pela perda gestacional e infantil. A campanha tem como principal objetivo trazer um olhar mais sensível para o tema, abrindo espaço para que famílias que passam por essas perdas possam se abrir, vivenciar e expressar seu luto sem medo de julgamentos. É preciso que a sociedade, como um todo, inclusive profissionais de saúde que irão receber essas famílias, estejam preparados para acolher todo o sentimento envolvido, para que o amor possa existir sempre, além da dor. E lembrando, também, que a intensidade do sentimento por um filho não é medida pelo tempo que ele esteve presente, e sim pela intensidade do sentimento que foi gerado, pelos planos e sonhos que foram construídos.
🕯️O dia 15 de outubro e o dia escolhido como o marco para a reflexão, sendo nesse dia que acontece a "Onda de Luz", movimento onde famílias de Anjos acendem velas em homenagem a seus pequenos que partiram cedo.🕯️

                                       Correção: "Netflix"



Luciana Morais
Enfermeira especialista em Saúde Materno Infantil e Amamentação

domingo, 19 de setembro de 2021

Pré Natal Odontológico


Quantas vezes ouvimos histórias de mulheres que sofreram com dor de dente na gestação e amamentação pois profissionais lhe disseram que era arriscado tratar? Então p melhor é seguir com dor, desconforto e exposta a riscos de complicações?
Um pré-natal adequado é de suma importância para uma gestação tranquila e segura, e uma parte muito importante deste cuidado é o exame odontológico da gestante. 
Muitos mitos e crenças cercam o tema, mas o fato é que existem demandas odontológicas específicas das grávidas, geradas em função da série de alterações hormonais, alimentares e psicológicas ocorridas na gravidez. Além disso, as demandas odontológicas independentes da período gestacional continuam ocorrendo, e é de fundamental importância que o cirurgião-dentista esteja preparado para atender a gestante com segurança e qualidade. Adequações específicas no manejo clínico, terapêutica medicamentosa e na solicitação de exames complementares se fazem necessárias.
Doenças bucais não tratadas podem trazer complicações não só para quem gesta, como quadros infecciosos agravados, mas também para o bebê, levando ao baixo peso e prematuridade.


Luciana Morais
Enfermeira, Especialista em Saúde Materno Infantil e Amamentação

Victor de Morais
Cirurgião Dentista

 

domingo, 12 de setembro de 2021

Gestação e uso de álcool

                                                                        OMS e CISA

O consumo de álcool por jovens e mulheres vem aumentando cada vez mais em nossa sociedade, além desse consumo ser cada vez mais banalizado. Durante a gravidez pode acarretar em danos sérios e irreversíveis à saúde do bebê, desde más formações faciais até alterações comportamentais, déficits cognitivos e doenças cardíacas. A SAF (Síndrome Alcóolica Fetal) é uma das síndromes mais frequentas e caracteriza-se por alterações orgânicas, microcefalia, atraso cognitivo e distúrbios de comportamento. Tudo isso afeta a saúde e desempenho escolar da criança, gerando altos custos às famílias e ao Estado. 

É de extrema importância salientar que não existe, na literatura atual, comprovação de uma quantidade segura de ingestão de álcool na gestação, que não apresente riscos ao feto. Qualquer dose, por menor que seja, pode ser nociva, uma vez que em poucos minutos esse álcool atinge o organismo do feto, na mesma proporção que se encontra no sangue da mãe. Porém no primeiro temos um sistema nervoso central ainda em organização, tornando mais susceptível, e um organismo que não consegue metabolizar o álcool, fazendo com que permaneça ali por mais tempo.  

Ainda que muitas mulheres suspendam a ingestão de álcool ao descobrirem uma gravidez, 15% das grávidas no Brasil ainda bebem. Além disso, até que a gestação seja descoberta, há o consumo durante esse período. Recomenda-se, então, que a partir do momento que há o desejo e tentativas de engravidar, haja a suspensão do consumo de bebidas alcóolicas como parte dos cuidados pré concepção.

A SAF não tem cura, porém é possível preveni-la 100%. Gravidez não combina com álcool. 

Para grávidas e tentantes, é TOLERÂNCIA ZERO!

09 de Setembro: Dia Mundial de prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal


Luciana Morais

Enfermeira especialista em Saúde Materno Infantil e Amamentação

Referências:

Cisa - Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O Desmame


 Vivemos, Jojo e eu, no último mês, um grande marco em nossa história de amamentação, que teve início pouco mais de 4 anos e 3 meses atrás: o Desmame. 

Nosso processo teve início pouco depois dos 6 meses completos, quando iniciamos a introdução alimentar e o aleitamento não era mais exclusivo. Desde então Joana seguiu amamentando em livre demanda, mesmo após o primeiro ano, segundo, terceiro... Confesso que muitos foram os momentos em que o cansaço era grande e por muitas vezes pensei que seria eu a colocar um ponto final em nossa história, esses eram aqueles dias em que estava cansada de toda uma rotina, e ela acabava demandando mais que o normal. Mas logo esses momentos passavam e logo voltava a certeza que chegaríamos a um desmame natural. 

E esse momento chegou. Jojo foi demandando cada vez menos o "mimi", até que descobriu que poderia adormecer apenas aninhada em meus braços. E quando aconteceu meu coração apertou. Era esperado, mas quando acontece a gente sofre, pensa se e isso mesmo, sente saudade... Mas com muito orgulho da minha pequena, por ver ser crescimento assim, tão livre. Mesmo que ela siga repetindo: eu vou mimi pra sempre! hehe

Mas quando é o momento certo do desmame? Como saber que chegou a hora?

Essa é uma resposta, queridos leitores, que somente duas pessoas serão capazes de responder: quem amamenta e quem mama. Somente vocês saberão o momento em que a amamentação chega ao fim. Seja de forma natural (e sim, o desmame natural acontece, e lindo, e é a forma mais suave e sadia de desmame), ou guiado respeitosamente (quando, por algum motivo, o prazer no ato aleitar deixa de ser prazeroso e um momento de boas trocas entre vocês). O importante é que seja um momento em que você esteja em paz com a decisão, e não o faça de maneira abrupta, pois pode trazer repercussões negativas pra você e para o pequeno. Busque um profissional capacitado para te acompanhar e orientar!

E não se esqueça: leite materno não tem prazo de validade. Amamentar sempre vai gerar benefícios, seja pelo tempo que for. Amamentação "prolongada" não é problema, é natural. E sempre que necessário, busque apoio profissional. 


Luciana Morais

Enfermeira, especialista em Saúde Materno Infantil e Amamentação

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Semana Mundial de Aleitamento Materno 2021


"Proteger a amamentação ° uma responsabilidade de todos"

Boas práticas em aleitamento garantem nutrição, saúde e segurança alimentar, contribuindo para um melhor desenvolvimento das crianças a curto e médio prazo. Desta forma, ainda mais em um contexto de risco maior de saúde como o que vivemos, devemos nos lembrar sempre que a responsabilidade em garantir um ambiente seguro para o aleitamento e dever de todos, não somente de quem amamenta. 
Cabe à família apoiar e encorajar, ser rede de apoio para que a amamentação possa ocorrer. 
A empresários fornecer meios para que funcionárias possam manter o aleitamento, ambientes adequados, incentivos. Lembrando que dessa forma investe em seu próprio negócio, pois quando em um ambiente acolhedor e que facilita e incentiva a manutenção do aleitamento, tornando o retorno ao trabalho menos traumático, há melhores rendimentos, menos adoecimentos e faltas, ambientes de trabalho mais agradáveis e com maior nível de aprovação. 
E, acima de tudo, ao poder público, trabalhando em prol de promover, proteger e favorecer a amamentação, através de políticas públicas, investimento em serviços de saúde atualizados, pessoal capacitado, multidisciplinaridade nos ambientes que atendem lactantes e lactentes. Investir em licenças PARENTAIS adequadas, garantindo proteção social às famílias, entre outros. 
Amamentar é um direito, mas é preciso que sejam assegurados ambientes e recursos adequados para que o aleitamento possa ocorrer de forma continua, saudável, segura, e seja verdadeiramente uma escolha possível.


Luciana Morais
Enfermeira
Especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Cosleeping


Existe uma certa confusão quando usamos o termo "Cosleeping" ao falar sobre sono seguro de bebês. Muitas vezes a palavra é logo associada à cama compartilhada. Porém seu significado abrange não somente o ato de dormir com o bebê na mesma cama, mas o compartilhar o ambiente de sono, seja na mesma cama, ou no mesmo quarto, em um berço ou colchão ao lado da cama dos pais. Podemos descrever como sono compartilhado, ou quarto compartilhado.
Esta prática, atualmente, é defendida por estudiosos por promover maior segurança durante o sono. A Sociedade Americana de Pediatria orienta que a prática deve ser seguida no primeiro ano de vida do bebê, principalmente durante os primeiros 6 meses. Já a Sociedade Brasileira de Pediatria fala que o bebê deve dividir o mesmo ambiente que os pais nos primeiros 6 meses de vida. 
Mas qual a vantagem? Quando o bebê compartilha o mesmo ambiente de sono com a mãe ou seu principal cuidador há uma regulação na fisiologia dessa criança, criando uma conexão entre os padrões respiratórios, cardíacos, de temperatura, sono, diminuindo consideravelmente o risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI), além de facilitar a amamentação, e melhorar o sono dos cuidadores.
Segundo James McKenna, professor de antropologia da Universidade de Notre Dame, e especialista no tema, este é o único ambiente na qual o recém nascido está adaptado (mesmo ambiente que os pais).
Caso sua escolha seja pela cama compartilhada, seguir as orientações de segurança é se extrema importância para garantir uma noite tranquila pois, sabe-se, também, que os acidentes associados à prática, estão relacionados a locais não seguros, incluindo cuidadores não aptos. 




Luciana Morais
Enfermeira
Especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno
 

domingo, 18 de julho de 2021

Por hoje escolho me amar...




Com todos meus defeitos e imperfeições, erros e acertos. Marcas do tempo, fios brancos. As mudanças do corpo, quilos a mais na balança, adquiridos com a maternidade ou com a saúde mental sendo colocada em ordem. Ou seja como for. 
Não. Não é algo fácil de se fazer. Não é como se apertássemos um botãozinho e como mágica todas as inseguranças e tudo mais sumissem. Mas dou um passo por dia e faço minha escolha. Eu escolho me amar e me aceitar. E quando escolho a mudança vem de dentro de mim. 

Então hoje eu escolho aceitar e honrar meu corpo, que é meu, carrega minha história, marcas de uma vida. Que carregou quatro pequenos corações pelo tempo que lhes foi necessário, que foi alimento na medida, pro corpo e pra alma. 

Dou meu primeiro para me libertar de todas as amarras impostas e que nos sufocam nesse mundo que vivemos. Para além de jornadas duplas, triplas, quádruplas, um tempo para poder olhar para mim, me reconhecer como sou, toda a beleza, não aquela que dizem que devemos ter, mas aquela beleza que é real, que é capaz de impor medo, pois sabem que nos torna capazes de tudo. 

Sei que é um caminho longo. Mas hoje escolho me amar. Mais que ontem, menos que amanha. <3


Luciana Morais
Enfermeira
Especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

terça-feira, 1 de junho de 2021

Disquesia do Lactente


 

Imaginem a cena: o bebê faz força, espreme, geme, fica vermelho, aperta e...uns 20 minutos depois, faz aquele cocozão que toda mãe gosta de ver na fralda e pronto: fica como se nada tivesse acontecido. Quantas vezes ao longo da maternidade/paternidade nos deparamos com cenas semelhantes? E quantos pais se desesperaram, preocuparam, sofreram achando que seu bebê estava sofrendo com as temidas cólicas, ou gases, ou mesmo que tinha algo errado? 

Mas esse cenário costuma ser um acontecimento comum e fisiológico do bebê, causado pela imaturidade do sistema gastrointestinal, que ainda não aprendeu a coordenar os movimentos de contração e relaxamento da musculatura intestinal e do assoalho pélvico para liberar as fezes. Imaginem só: dá aquela vontade de fazer número 2. corremos pro banheiro, sentamos no vaso, ai basta fazer uma forcinha que tudo sai, não é? Não precisamos ficar pensando que força precisamos fazer ou onde precisamos relaxar. Mas para os bebês, cujo sistema neuromuscular ainda está imaturo as coisas não funcionam tão naturalmente, e vira aquela confusão. Mas aí, depois de uma pequena luta pra conseguirem se entender, finalmente conseguem liberar a pequena bomba e esse cocô sai com consistência e cores normais para um bebê. Sem sinais de constipação ou outros problemas. E os incômodos desaparecem.  

E como podemos ajudar? Primeiro respire fundo. Essa incoordenação passa ao longo dos primeiros meses, à medida que eles vão crescendo. Logo eles aprendem a evacuar direitinho. Enquanto isso criar situações que ajudem a promover o relaxamento do seu filhote: banho (balde ou chuveiro são incríveis), pele a pele (barriga com barriga), sling, massagens (movimentos circulares na barriguinha, bicicletinha com as pernas, shantala), manter em posição de cócoras e nunca oferecer nada ao bebê além do leite! Na dúvida contate o profissional que faz acompanhamento para descartar qualquer outra possibilidade. 


Luciana Morais
Enfermeira
Especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Gestantes e Bebês X Pets


 

Com a descoberta de uma gestação ou a chegada de um bebê, muitos casais que têm pets em casa se veem numa situação complicada: “E agora? Vou ter que doar meu bichinho!” Por influência das falas de amigos, familiares e até sob orientação médica, alguns se desfazem mesmo de seus companheiros de longa data... Isso acaba por gerar um clima de muita tristeza num momento que deveria ser de extrema felicidade. Ademais, cães, gatos e até pets exóticos como coelhos e algumas aves desenvolvem laços afetivos muito fortes com seus tutores e essa separação é extremamente dolorosa para eles também. Mas será que é mesmo necessário se desfazer do bicho? É seguro que a gestante e, posteriormente, a criança tenham contato com animais de estimação?

As respostas para essas perguntas parecem muito claras, mas ainda há muita insegurança em torno dessa questão. E eu digo que sim, é absolutamente seguro para gestantes, crianças e até bebês terem bichinhos em casa. Não só é seguro, como pode ser extremamente benéfico para a saúde de toda a família, tanto física quanto emocional. Animais são seres fantásticos e podem surpreender na presença de uma gestação ou de um bebê, demonstrando comportamentos protetores e de carinho. Além disso, a relação com um bichinho desde bem cedo na infância proporciona grandes oportunidades de aprender sobre respeito aos outros seres, empatia e noções de responsabilidade, cuidado com a vida e o meio ambiente.

É muito importante, porém, que alguns cuidados sejam observados e algumas “lendas” sejam desmistificadas:

- Essencial colocar as vacinas em dia e certificar-se de que não apresentem parasitoses intestinais, pulgas, carrapatos, piolhos e doenças de pele como sarnas e fungos;

- Todos os animais que têm contato com gestantes e crianças devem ser totalmente domiciliados. Aliás, até os que não têm contato, né? Rua não é lugar de bicho! Por isso, nada de “voltinhas” sem supervisão (pode passear! Só não pode ficar dando rolezinho sozinho). Isso evita que eles tenham contato inadvertido com situações que vão trazer problemas para dentro de casa;

- “Gato transmite toxoplasmose!” Bom... Sim e não. Gatos podem ser, de fato, hospedeiros do Toxoplasma gondii e responsáveis em parte por perpetuar a doença no ambiente. Porém, para se infectar, o gato precisa comer uma caça contaminada (ratinho, passarinho – a história ali de cima do bicho que sai para a rua, ó) e caso se infecte, ele só vai eliminar os oocistos nas fezes durante poucos dias em toda a vida dele. Além disso, esses oocistos, para se tornarem infectantes, precisam permanecer no ambiente por mais de 24 horas e, para nos contaminarmos, precisamos ingeri-los. Ou seja, muito improvável pegar toxoplasmose de um gato se a higiene da caixinha for feita com frequência e lavando bem as mãos depois. A maneira mais fácil de pegar toxoplasmose é – pasmem – comendo carne mal passada e verduras mal lavadas!

- “Ah, mas os pelos/penas vão causar alergia”. Pelos e penas só causam alergias naqueles que são alérgicos a eles. Nem todos vão desenvolver alergias e só testando mesmo para saber. Geralmente, essas reações são brandas e tendem a desaparecer com o contato. Algumas pessoas até apresentam alergias gravíssimas, o que é sim um problema, mas felizmente esses casos são bem raros. No entanto, estudos mostraram que crianças que tiveram íntimo contato com animais no seu primeiro ano de vida, têm metade da chance de desenvolverem episódios alérgicos depois de mais velhas do que crianças que não tiveram esse contato.

- É importante monitorar o contato das crianças muito novinhas com os animais, principalmente os de porte pequeno e os filhotes. Na fase em que os bebês já estão engatinhando e têm mais curiosidade, eles podem segurar com força, puxar os rabinhos, arrancar pelos e colocar a mãozinha nos olhos dos bichinhos, o que pode machucá-los gravemente. Além disso, a ação da criança pode se converter em uma mordida, um arranhão ou uma bicada como defesa.

Enfim, meu conselho final é: quem já tem um ou mais pets em casa, ao confirmar uma gestação e antes de receber o bebê em casa, consulte um médico veterinário de sua confiança. Por mais que o seu médico esteja ali para cuidar de você e só quer o seu bem e o da sua família, o veterinário é o médico do seu bichinho e o profissional mais capacitado para falar sobre saúde e comportamento animal. Além disso, estudamos saúde pública e zoonoses também! Estamos prontos para orientar e tirar todas as dúvidas a respeito do assunto. Observados os cuidados com higiene e segurança, essa relação só vai trazer benefícios a todos os envolvidos e gerar muitos momentos legais, dignos de vídeos e fotos para guardar por toda vida!


Lígia de Morais Gomes

Médica Veterinária - CRMV-MG12665

@ligia.acupet

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Exterogestação, até quando?


Já conversamos aqui no blog sobre EXTEROGESTAÇÃO. É um assunto recorrente nos meus cursos, consultorias, rodas de conversas. Porque entendo e reconheço a importância para o desenvolvimento saudável do bebê. Mas muita gente pergunta, até quando vai esse período de exterogestação? Mesmo quando pesquisamos, encontramos opiniões diferentes sobre o assunto. 

Por isso trago este vídeo para vocês, a fim de discutir até quando nossos bebês precisam ser "exterogestados"? Qual o significado disso no nosso dia a dia e deles? Como saber que estão prontos? Quer saber mais? Clica no vídeo e vamos conversar!!


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 Vocês já conhecem o canal da Cheiro de Mãe no You Tube? 

Lá encontram, além de amarrações dos slings, vídeos sobre maternidade, amamentação, criação com apego, minha maternidade.... Tudo para ajudar a tornar a sua maternidade/paternidade um pouco mais leves e lembrá-los que não estão sozinhos nessa!


 Entrem, conheçam, compartilhem!

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Luciana Morais

Enfermeira especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

sábado, 23 de maio de 2020

Parto Orgásmico

Este texto foi escrito a pedido de uma amiga, lá de Franca-SP, pra ser postado na página da equipe dela, Isis - Gestação e Nascimento.

Levanta a mão quem sabia que é possível sentir prazer e até mesmo ter orgasmos durante o parto? Chega mais pra saber!



Ao lermos relatos de parto de mulheres que vivenciaram uma assistência humanizada, não é incomum mulheres que relatam o momento sem dar ênfase à dor, ou contam a experiência como um momento de prazer, crescimento, transcendência, entrega, além e apesar da dor. Porém, infelizmente, esses relatos ainda causam estranheza diante de grande parte da sociedade, onde parto ainda é sinônimo de dor e sofrimento.
  

Vivemos em uma sociedade patriarcal, culturalmente machista, falocêntrica e opressora dos desejos femininos, principalmente quando falamos em sexualidade. Desde pequenas somos ensinadas como nos portar, a reprimir nossas pulsões e sensações. Não podemos nos tocar, é feio. É sujo.  O resultado é que crescemos sem conhecer e entender as capacidades e prazeres que nosso corpo, inclusive aquelas vindas do nosso útero, outrora tão conhecidas. Criamos, então, mulheres desconectadas com o próprio corpo, com o verdadeiro feminino.
Mas é impossível fazer de gravidez parto, amamentação, sem falarmos em sexualidade. Todos são processos intensos e intimamente ligados a sexualidade, não apenas por se situarem no mesmo local. Compartilham musculaturas, terminações nervosas, hormônios, sendo o principal e mais conhecido, a Ocitocina, também conhecida como “hormônio do Amor”, por estar presente em todas as relações humanas que envolvem sentimentos, e nas relações sexuais e orgasmo. Ocitocina está presente no momento do parto, levando as contrações uterinas, na amamentação, na ejeção do leite, e nos vínculos formados ao longo da vida.


E aí chegamos ao Parto Orgásmico. É possível, além da ressignificação da dor, sentir prazer ao parir? Um orgasmo? Ao conseguirmos voltar nosso olhar ao processo como parte da sexualidade humana, como já descrito acima, é possível entender como esse prazer poderia acontecer. Mas para além desse olhar, precisamos recuperar nosso feminino, o conhecimento de nosso corpo, nossos prazeres. É preciso entender o parto como um processo fisiológico e se permitir viver esse processo. Liberar o corpo ser livre para sentir.


É possível se preparar para um parto orgásmico? O primeiro passo é se livrar de cobranças e expectativas. Tudo que possa gerar tensões. Assim como no sexo, este é um momento de intenso relaxamento, o pico máximo de prazer feminino após um estímulo. A diferença entre dor em prazer no parto está, também, diretamente ligada à liberdade que a mulher tem em relação ao local de parto, à equipe, aos acompanhantes. Mulheres que são se encontram em um ambiente acolhedor, aconchegante, que lhe permite estar relaxada e conectada consigo mesma e com seu corpo tem maiores chances de alcançá-lo. Por isso uma equipe bem preparada e um ambiente adequado fazem toda a diferença no processo de parturição. Se entregar ao processo, respeitar as sensações e “pedidos” do corpo também são importantes para que se possa alcançar um estado de relaxamento capaz de proporcionar prazer. Prazer este que não é causado apenas pela passagem da cabeça do bebê no canal vaginal, mas por toda “explosão” hormonal, movimentos musculares e estímulos nervosos.
O mais importante, e lição que acredito que devemos levar de tudo isso, é entender a importância de resgatarmos o poder do feminino, a força do nosso útero, uma força transcendental, que atravessa gerações de mulheres. Conhecer o próprio corpo, o que lhe dar prazer. Se empoderar na construção do parto, para que seja um momento de respeito, de protagonismo, de segurança, em que possa, enfim, se entregar as maravilhosas sensações que a “partolândia” pode trazer.


” Sinto que Victor entrou na água, e me puxa pra apoiar nele. Me entrego, relaxo. Consigo respirar e voltar a concentrar. SAI, JOANA! Falo, e escuto risos. E a cabecinha sai. Ah! Fico ali, acariciando a cabecinha enquanto ainda não consigo acreditar. (...) Não sei dizer quanto tempo estivemos assim. Sinto Joana mexendo dentro de mim. Me dá muito nervoso aquela sensação. Porque não sei explicar o que sinto. Sinto todo meu corpo respondendo àqueles movimentos, àquela sensação. Cada músculo. (...) Caraca, que é isso? Como descrever? Apenas sentir.”
                                                           Nascimento Joana – PDAC (Parto Domiciliar após cesarea)




Luciana Morais
Enfermeira Especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Seu bebê nasceu "cremosinho"?


O corpo dos bebês é recoberto por uma substância gordurosa, branca, chamada Vérnix Caseoso. Alguns nascem lambuzados, outros "mais limpinhos". Fatores como a idade gestacional interferem nessa quantidade ao nascimento. Ele é produzido por volta do terceiro trimestre de gestação e auxilia na maturação da pele do bebê. Também auxilia lubrificando o corpinho do feto, facilitando sua passagem no canal de parto e também sua adaptação no meio externo, uma vez que mantém a hidratação da pele.
O vérnix também contem proteínas e vitaminas, além de servir como protetor contra infecções, tanto por componentes antimicrobianos quanto por proteção mecânica. Auxilia, ainda, na manutenção da temperatura corporal do recém nascido após o parto.
Desta forma, o vérnix não deve ser removido nas primeiras horas de vida (preferencialmente nas primeiras 12 horas, mas no mínimo 6 horas), devendo o RN ser secado delicadamente após o nascimento. Salvo situações onde há risco de contaminação por doença materna. Ou seja: sem pressa para banhar os pequenos!

E aí, seu bebê nasceu cremosinho?

domingo, 10 de maio de 2020

Quando Nasce uma mãe?


Nasce um bebê, nasce uma mãe...mas, será mesmo? Em que momento nos tornamos MÃES? Será mesmo que a maternidade nasce somente com a chegada física do bebê para todas as mulheres? Mães são somente aquelas que tem os filhos em seus braços?
A construção da maternidade é um processo complexo e envolve muito além do bebê formado nascido. Ela surge em momentos diferentes para mulheres diferentes, e até mesmo para uma mesma mulher, em momentos diferentes da vida.
O que envolve o tornar-se mãe? Quais sentimentos? Uma mulher pode se tornar mãe a partir do momento em que recebe o positivo no exame, algumas já o sentem antes mesmo. Outras vão construir essa relação e esse sentimento ao longo da gestação ou mesmo durante o parto, quando tem em seus braços seu filho pela primeira vez. Temos ainda mulheres que construirão esse relacionamento ao longo dos primeiros dias ou mesmo semanas de vida do bebê.  Qual está certo? Todas estão! Todas são mães, da mesma forma, com a mesma intensidade. Não existe um “mãezímetro” ou uma regra de em qual momento você deve se sentir mãe ou como é esse sentimento.
Mulheres que sonham com uma gestação vão sentir com mais intensidade desde o começo, enquanto outras, pegas de surpresa por uma gravidez não planejada, ou fruto de uma violência, podem demorar mais para construir esse vínculo. E tudo bem. Senão, o que seriam das mães adotivas, com o coração tão cheio de amor, uma maternidade que se constrói ao longo de anos de espera, com um olhar, um abraço.

O que não podemos e julgar mulheres por isso.

E não podemos, também, nunca, ignorar aquelas mães que, por algum motivo, não tem seus filhos por perto, ou minimizar sua maternidade ou seu sentimento.
E essa e a reflexão que trago nesse dia das Mães. O que te torna mãe? A maternidade tem a ver com toda construção que envolve aquela gestação. Tem a ver com a expectativa, com os sonhos que foram criados. Lembremo-nos de todas as mães que, por algum motivo, não podem estar comemorando com a cria presencialmente, mas as tem no coração, sempre. Mãe é mãe, não importa se 6 semanas de gestação, ou 1 mês fora da barriga. Mãe é mãe a partir do momento que escolhe ser.
Esse dia é de todas nós, pois a maternidade não tem fim, é eterna em nosso coração. Marca nossa vida, nosso corpo e nossa alma, pra sempre.

Em lembrança do pequeno Ariel, que tão pouco esteve comigo, mas em 8 semanas mudou nossas vidas, me preparou para uma nova maternidade que tão logo viria. E é sempre lembrado.  


Luciana Morais
Enfermeira, especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno
Mãe do Arthur, da Alice, do Ariel e da Joana


sábado, 25 de janeiro de 2020

Exterogestação


Qual a diferença de um bebê humano para um bebê de outros mamíferos?

Os bebês humanos são, dentre as espécies de mamíferos, aqueles que nascem mais dependentes de seus cuidadores nos primeiros meses de vida, sendo incapazes de sobreviver se deixados sozinhos.

Isso se dá pois, devido ao desenvolvimento do ser humano ao longo dos anos, o fato de se tornarem bípedes, se fossem se desenvolver por completo dentro do útero como seus colegas do reino animal, os bebês não passariam pelo canal de parto devido o tamanho de suas cabeças. Necessitam, então, nascer prematuramente, mesmo aqueles bebês que nascem a termo em sua idade gestacional. 

E ai que entra a EXTEROGESTAÇÃO.     
Exterogestação nada mais é que reproduzir, o mais próximo possível, o ambiente uterino, a fim de favorecer uma melhor adaptação e desenvolvimento do bebê nos primeiros meses de vida.

Ao longo do primeiro ano de vida os bebês apresentam um desenvolvimento cognitivo e neurológico intensos e únicos, o que faz com que diversidade de estímulos táteis e sensoriais sejam de grande benefício para eles. Esses estímulos tem início lá no trabalho de parto, com as contrações uterinas e passagem pelo canal vaginal e é interessante que seja continuado durante os primeiros meses fora da barriga, tentando simular as sensações que ele vivia enquanto no ambiente uterino, a fim de trazer segurança, calma e ajudar na transição de vida dos pequenos, como: 
-Temperatura: pele a pele com a mãe ou cuidador, colo, sling
-Movimentos: durante a vida intrauterina, os bebes viviam em constante movimento durante as atividades maternas, por isso relembrar essa rotina traz segurança e conforto. Balanço lateral, devagar, suave, como uma dança lenta, andar com bebe no colo, sling
-Sons: bebê está acostumado a ouvir os sons do corpo da mãe durante vários meses, além dos sons do ambiente externo, vozes. Não é de se estranhar que não gostem de ambientes silenciosos e durmam em ambientes barulhentos. Ruídos brancos, sons que simulam sons uterinos, pele a pele para ouvir coração da mãe, voz da mãe, do pai
-Ambiente restrito: bebes viviam em um lugar apertadinho, encolhidos, e de repente se veem em um espaço sem fim, coluna esticada, sem apoio algum, longe de tudo que lhe é familiar. Pode ser bem assustador! Por isso também gostam de colo e o berço parece ter espinhos. Muito colo, usar swaddles, mantinhas, slings, mantendo uma posição fisiológica do bebê (famosa posição sapinho)
-Livre demanda: na barriga bebe não sentia fome! Recebia alimento de forma livre e assim deve continuar aqui fora. a livre demanda e importante não somente para regular a alimentação e nutrição do bebe, mas ela e capaz de nutrir grande parte das necessidades citadas acima!

Acima listei algumas das possibilidades de se praticar a exterogestação com seu bebê. Além dos benefícios para os pequenos, essa prática também ajuda as mães a se sentirem mais seguras e confiantes nos cuidados, a conhecerem melhor as necessidades dos filhos, favorece a amamentação e fortalece vínculos. 

Mas até quando Exterogestar?
Não existe um consenso sobre o limite da exterogestação. E eu não acredito realmente que exista. Algumas literaturas falam sobre 3 meses, considerados o quarto trimestre gestacional, sendo o período de maior adaptação dos bebês. Já outras, seguindo o paralelo com outros mamíferos, falam sobre 9 meses, que seriam quando os bebes começam a adquirir certa independência materna: já se locomovem sozinhos, não dependem totalmente da mãe para se alimentar, ou seja, já possuem certo desenvolvimento motor. 

O que fica claro é: exterogestar não tem um limite claro, cada criança tem suas necessidades e cabe a nós, cuidadores, termos sensibilidade para percebe-las e supri-las de acordo com suas demandas únicas e especiais. Carinho, colo, sling nunca são demais. 💓

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Laser na Amamentação

Atualmente o uso da laserterapia para auxiliar nas intercorrências durante a amamentação tem ganhado cada vez mais espaço e procura. Mas seu uso ainda gera muitas duvidas e muitas vezes a mulher que o procura não sabe realmente como deve ser seu uso, e acaba criando expectativas erradas com relação a técnica. Então hoje vou contar um pouquinho sobre o uso do laser na amamentação, seu uso e indicações. 


O Laser é, hoje, um recurso terapêutico de grande ajuda aos profissionais que atuam no cuidado à amamentação. Ele ajuda na cicatrização de feridas e fissuras, no alívio de dor, tem ação anti-inflamatória e também ajuda no alívio de edema.
Nesse cenário usamos o Laser de Baixa Intensidade (LBI), que consiste em uma radiação não ionizante, ou seja, não tem potencial para causar danos às estruturas das moléculas. 
As luzes mais usadas são vermelha e infravermelha e a escolha por qual delas vai depender de fatores como objetivo do uso, profundidade do tecido a ser atingido, e a resposta aos estímulos podem ser influenciadas pelo tom da pele (capacidade de absorção da luz), biotipo ou sensibilidade pessoal a luz. 
Mas como ele funciona? Ao ser absorvida pelo organismo desencadeia uma sequência de modificações a nível celular, promovendo aumento da proliferação celular, de vasos sanguíneos e circulação local e, dessa forma, melhora a resposta do organismo ao processo inflamatório. Ou seja: o Laser não é solução mágica, ele não cicatriza o tecido, mas sim melhora a resposta do nosso corpo àquela situação, acelerando aqueles processos fisiológicos (o que faz com que tenha poucas contra indicações). Por isso seus efeitos serão percebidos não somente imediatamente à aplicação (como analgesia, por exemplo), mas ele segue atuando tempo depois.
Porém não devemos esquecer, nunca, que a amamentação é um processo complexo, que envolve não apenas um peito: temos ali uma mulher, um bebe, uma dupla que está aprendendo e enfrentando intercorrências,  um ambiente que pode ser favorável ou não àquela amamentação. Então não adianta termos as tecnologias mais novas a nosso favor se não atuarmos naquela díade. O laser pode ser ótimo para fissuras e feridas, porém se não se intervém na causa do problema, iremos apenas "tampar o sol com a peneira", além de deixar aquela mulher dependente da terapia, mas pouco informada e empoderada sobre si mesmo e sua experiência. 
A laserterapia é, sim, uma aliada incrível na assistência à amamentação, mas devemos reforçar sempre a nossas clientes, amigas, colegas, parentes: ele não é solução dos problemas, é um meio. Laser sem manejo clínico não faz milagre. E nem sempre ele será necessário. 


Luciana Morais
Enfermeira
Especialista em Saúde Materno Infantil e Amamentação

terça-feira, 30 de julho de 2019

A Hora do Mamaço 2019 - SMAM





Agosto e considerado o mês dourado, mês de incentivo ao Aleitamento Materno e, todo ano, de 1 a 7 desse mês comemoramos a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). Durante essa semana acontece em diversas cidades do Brasil e do mundo A Hora do Mamaço e BH não poderia ficar de fora. Então anotem na agenda, dia 07/08, na praça de serviços da UFMG!



Esse ano, o tema da SMAM traz como tema: "Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação" e vem nos mostrar que, para além das informações de qualidade e evidências científicas, a amamentação também precisa de uma equipe forte e empoderada, que vai desde o companheiro (a), passando pela família, comunidade, profissionais de saúde, todos trabalhando e se fortalecendo para o estabelecimento e funcionamento do processo. 
Dessa forma trazemos a discussão para a igualdade de gênero uma vez que, para que esse apoio acontece de forma mais integral, é preciso que se estabeleça medidas que garantam a tranquilidade da mãe durante os cuidados do bebê, mas também a presença do companheiro ao lado dessa mulher durante esse período. Chegamos, então, a um ponto de extrema importância e super atual, onde há tempos já se vem lutando, usando como exemplo outros países onde já existe esse apoio: uma licença maternidade/paternidade remuneradas, justas, que permitam o aleitamento exclusivo nos 6 primeiros meses e a presença o companheiro apoiando, ao lado dessa mãe, além de maior apoio e empatia por parte dos locais de trabalho.


legenda


Luciana Morais
Enfermeira especialista em Saúde Materno Infantil

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Ah, o Puerpério...

São meses de mimos, de muita atenção recebida, de cuidados. A barriga crescendo, bebê mexendo. Enjoos, dores, mal estar - tem também. Mas ah, que é isso perto das delicias de se estar grávida (pelo menos pra grande parte das mulheres, né, pois sabemos que nem todas se sentem bem durante a gestação, e isso é ok, não tem nada de errado em não se sentir maravilhosa grávida). Ai nasce o bebê. O parto dos sonhos. Ou não. Aquele bebê pequetito no colo, põe no peito, que coisinha mais linda, nossa, ninguém disse que era difícil! Cadê todas as atenções que eu tinha até uns dias atrás? Ah, agora são todas desse serzinho fofucho aqui. Hello, tô aqui!!

Bem vindas ao Puerpério!



"Alice não teve um segundo para pensar em parar antes de se ver despencando num poço muito fundo. Ou o poço era muito fundo, ou ela caía muito devagar [...] Caindo, caindo, caindo. A queda não terminaria nunca? 'Quantos quilômetros já cai até agora?' [...] Caindo, caindo, caindo." 
Aventuras de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll


Sempre que me pego pensando sobre o puerpério, me vem a cabeça o trecho da história da Alice onde ela cai ao entrar na toca do coelho. Um túnel longo, que não vemos o fim, escuro, onde vamos caindo, sozinhas, sem saber onde chegaremos ou como chegaremos. Vemos tudo passando ao nosso redor, mas como se estivéssemos alheias. Muitos são os momentos em que a sensação é que não sairemos dali nunca. Será possível haver luz no fim do túnel? muito choro, misto de sentimentos muitas vezes opostos e confusos. Será que tem algo errado comigo? 

Bem vindas ao Puerpério!


Ao contrário do que muita gente pensa, ao falarmos de puerpério, não estamos falando apenas daquelas semanas logo após o parto onde nosso corpo se recupera e nos adaptamos a nova rotina com o bebê. Esse momento vai muito além. É um contínuo desconstruir e reconstruir, onde reaprendemos a viver, nosso lugar no mundo, quem somos. É o luto pela morte da mulher que éramos e renascimento de uma nova mulher, agora também mãe. E esse processo não poderia ser fácil. É doloroso. Mas é essencial que toda mulher possa viver seu puerpério em toda suas particularidades. É dele que sairemos mais fortes e reconstruídas, prontas para a nova vida que nos aguarda. 

Para que a mulher possa viver esse momento de forma plena é preciso que ela possa se sentir segura para mergulhar fundo, sem medo, a fusão emocional com seu bebê, passando por todas alterações físicas, emocionais, psicológicas e de rotina que esse momento traz. A nova mãe não precisa de alguém que fique com o bebê para ela fazer as coisas em casa. Ela precisa de alguém que a ajude com a casa e outros afazeres para que ela possa se entregar inteiramente a esse momento. Por isso uma rede de apoio forte e organizada é fundamental para um puerpério saudável. 

Durante cerca de 2-3 semanas pós parto grande parte das mulheres vivenciarão o que chamamos "Blues puerperal" ou "Baby Blues", que é uma melancolia pós parto, que pode ser confundida muitas vezes com uma depressão, ou mesmo frescura da mulher. Isso acontece devido a queda hormonal e é passageiro. 

Mas cuidado, mesmo que o puerpério seja um período intenso na vida da mulher, que o baby blues existe, não podemos esquecer que algumas mulheres precisarão de uma atenção maior para conseguirem lidar com as mudanças na vida. Então mais uma vez a rede de apoio pode ser o diferencial na vida dessa família. Depressão pós parto é um problema real, sério, e muitas vezes jogado para debaixo do tapete da sociedade. Então se a nova mãe, ou quem está perto perceber que algo pode não estar caminhando tão bem, não hesitem em buscar uma ajuda profissional qualificada. 

As mães também precisam ser cuidadas e acolhidas, não apenas os bebês!


*As fotos mostram algumas das várias faces do meu 3º puerpério: o mais longo e desafiador!




Luciana Morais
Enfermeira, especialista em Saúde Materno Infantil
Mãe do Arthur, da Alice, da Joana e de um anjinho no céu.

domingo, 30 de junho de 2019

Hora Dourada (ou Golden Hour)

A Hora Dourada diz respeito ao período imediatamente após o nascimento, que hoje é reconhecida como de grande importância para um bom estabelecimento do aleitamento materno, da vinculação mãe-bebê, e da adaptação do recém-nascido ao meio extra-uterino.
Durante a primeira hora após o parto, os bebês se encontram ativos e alertas, devendo ser colocados imediatamente em contato pele-a-pele com a mãe (bebês nascidos sem intercorrência e necessidade de atendimentos especializados) onde estarão aptos a darem seus primeiros passos em direção ao aleitamento materno. Nesse momento é interessante que o bebê seja deixado livre sobre o peito da mãe para que possa, sozinho, dar inicio ao processo de busca pelo peito, pega e sucção. Esse processo é facilitado pela cor da aréola, formato, cheiro, sons da mãe e ajuda a reduzir problemas de amamentação no primeiro mês, pois o contexto pós parto facilita o aprendizado da pega e sucção corretas (que pode ser a diferença em mulheres com mamilos planos ou invertidos).
A amamentação na primeira hora, também, favorece a fase III da lactação, ajudando na descida do leite maduro (apojadura), ajudando na manutenção do aleitamento nos primeiros dias de vida do bebê. Um bom começo favorece uma amamentação mais segura e tranquila, e ajuda na redução de desmame precoce. O colostro ("primeiro" leite, que é produzido até que haja a apojadura) é considerado a primeira vacina, dessa forma quanto antes o contato com essas primeiras gotinhas, mais rápidos os benefícios que ele oferece, como o inicio da colonização da flora intestinal.
O contato pele a pele imediato após o parto favorece a criação e fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê, permite o "imprinting", momento onde há a primeira troca de olhares entre a dupla passando segurança ao bebê e confiança à mãe. Momento onde se conhecem e reconhecem.
A adaptação do bebe ao mundo fora da barriga da mãe torna-se mais tranquila, uma vez que é possível um corte de cordão tardio, levando a uma transição suave, e o bebê encontra-se em um ambiente onde reconhece cheiros, sons e carinho. Ajuda na manutenção da temperatura corporal, pois o corpo da mãe o aquece. A pele do recém nascido é colonizada com as bactérias da flora materna, ao invés de bactérias comuns do hospital, bactérias essas que serão de seu convívio. Diminui o risco de infecções e complicações no pós parto. Favorece eliminação de mecônio (primeiro cocô do bebê).
Para a mãe, além de ajudar na produção láctea, auxilia a involução uterina, reduzindo o risco de hemorragias pós parto.

Contato pele a pele imediato

Amamentação na primeira hora e participação do pai

Golden Hour
Converse com o profissional que acompanha seu pré natal, e não esqueça de colocar no plano de parto sobre a importância do contato pele a pele e o bebê vir para o seu colo após o nascimento. É direito de vocês. Bebês que nascem tranquilos podem receber as primeiras avaliações e cuidados no colo da mãe,  qualquer outro procedimento de rotina pode esperar.



Luciana Morais
Enfermeira especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

terça-feira, 11 de junho de 2019

O banho do Bebê


Ta aí uma coisa que vou sentir saudade dos tempos de filhos bebês: a hora do banho! Sempre achei uma delicia dar banho em bebês (Migas, podem me chamar pra dar banho nos filhotes de vocês quando tiverem!!!). Mas como tudo na maternidade, é um momento que também envolve inseguranças, dúvidas... Então vamos entender um pouco mais?


Nasceu o bebê. A mãe o recebe, um tempo depois, já vestido, penteado e banho tomado. Parece cena de novela, mas infelizmente era cena comum até pouco tempo atrás nas maternidades (e acredito que muito lugar ainda seja assim!). Mas será que é esse o melhor mesmo para aquele bebê que acabou de nascer e sua mãe?
Atualmente já se sabe o quanto um banho precoce pode ser prejudicial a adaptação do bebê à vida extrauterina e também ao aleitamento materno. Ao nascer, a pele do bebê está coberta por uma gordura branca, chamada vérnix. Esse vérnix contém vitaminas, proteínas e serve como proteção para a pele, ajuda a manter a temperatura corporal, além de hidratar a pele do bebê. Também atua como barreira contra bactérias. O ideal é que este seja secado delicadamente, de forma a não remover o vérnix pelo menos nas primeiras 12h de vida.



Outro motivo que faz valer a pena adiar o primeiro banho do bebê é a amamentação: quanto mais procedimentos o recém nascido recebe nas primeiras horas de vida, menos tempo de contato pele a pele ele tem com a mãe. Esses momentos são fundamentais para a adaptação extrauterina e todos os fatores já citados acima, além da amamentação precoce, que favorece estabelecimento da mesma, além do fortalecimento do vínculo com a mãe, uma vez que nesses primeiros momentos o pequeno está bem alerta e seus reflexos em busca do conhecido: cheiro, voz, som... Quanto mais se permite esse pele a pele, mais se favorece um começo positivo para a amamentação. Esse contato precoce está previsto na Iniciativa Hospital Amigo da Criança, sendo o passo 4. 

E no dia a dia, como deve ser o banho?

Passadas as primeiras 12-24 horas, ou quando os pais acharem o momento ideal, hora do primeiro banho. Não é de primeira necessidade o uso de sabonetes, shampoos e afins em bebês pequenos; além do risco de alergias, os pequenos não se sujam dessa forma. A necessidade maior é nas áreas íntimas, para retirada de resto de xixi e coco, e nas dobrinhas, onde suam (principalmente épocas de calor). Escolha sempre sabonetes neutros e sem perfumes. Os líquidos costumam ser os mais indicados pelo seu Ph mais parecido ao natural da pele. Os primeiros banhos podem ser momentos apenas de relaxamento, com o bebe enrolado em uma toalha fralda, para proporcionar segurança e conforto, e pode ser dado no balde, banheira ou chuveiro, onde  a família se sentir segura. Não há regra. Lembrem-se sempre de deixar a roupinha já separada, pronta para vesti-lo assim que sair!
Não há muito mistério na rotina de banhos do bebê. Escolha um horário que se adapte melhor ao seu dia (muitas famílias gostam de dar o banho pela manhã, outras após o almoço), cuide apenas para que não seja um horário mais friozinho (locais frios pode ser interessante o uso de um aquecedor). Quando mais de um banho por dia, o uso do sabonete deve ser limitado a apenas um desses momentos (exceto nas partes intimas, para limpeza de restos de xixi e coco). E à noite pode ser uma delícia um banho de balde relaxante antes de dormir! 

Faça do banho um momento de alegria, de conexão e muito carinho entre vocês!








Luciana Morais
Enfermeira especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno