domingo, 18 de julho de 2021

Por hoje escolho me amar...




Com todos meus defeitos e imperfeições, erros e acertos. Marcas do tempo, fios brancos. As mudanças do corpo, quilos a mais na balança, adquiridos com a maternidade ou com a saúde mental sendo colocada em ordem. Ou seja como for. 
Não. Não é algo fácil de se fazer. Não é como se apertássemos um botãozinho e como mágica todas as inseguranças e tudo mais sumissem. Mas dou um passo por dia e faço minha escolha. Eu escolho me amar e me aceitar. E quando escolho a mudança vem de dentro de mim. 

Então hoje eu escolho aceitar e honrar meu corpo, que é meu, carrega minha história, marcas de uma vida. Que carregou quatro pequenos corações pelo tempo que lhes foi necessário, que foi alimento na medida, pro corpo e pra alma. 

Dou meu primeiro para me libertar de todas as amarras impostas e que nos sufocam nesse mundo que vivemos. Para além de jornadas duplas, triplas, quádruplas, um tempo para poder olhar para mim, me reconhecer como sou, toda a beleza, não aquela que dizem que devemos ter, mas aquela beleza que é real, que é capaz de impor medo, pois sabem que nos torna capazes de tudo. 

Sei que é um caminho longo. Mas hoje escolho me amar. Mais que ontem, menos que amanha. <3


Luciana Morais
Enfermeira
Especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

terça-feira, 1 de junho de 2021

Disquesia do Lactente


 

Imaginem a cena: o bebê faz força, espreme, geme, fica vermelho, aperta e...uns 20 minutos depois, faz aquele cocozão que toda mãe gosta de ver na fralda e pronto: fica como se nada tivesse acontecido. Quantas vezes ao longo da maternidade/paternidade nos deparamos com cenas semelhantes? E quantos pais se desesperaram, preocuparam, sofreram achando que seu bebê estava sofrendo com as temidas cólicas, ou gases, ou mesmo que tinha algo errado? 

Mas esse cenário costuma ser um acontecimento comum e fisiológico do bebê, causado pela imaturidade do sistema gastrointestinal, que ainda não aprendeu a coordenar os movimentos de contração e relaxamento da musculatura intestinal e do assoalho pélvico para liberar as fezes. Imaginem só: dá aquela vontade de fazer número 2. corremos pro banheiro, sentamos no vaso, ai basta fazer uma forcinha que tudo sai, não é? Não precisamos ficar pensando que força precisamos fazer ou onde precisamos relaxar. Mas para os bebês, cujo sistema neuromuscular ainda está imaturo as coisas não funcionam tão naturalmente, e vira aquela confusão. Mas aí, depois de uma pequena luta pra conseguirem se entender, finalmente conseguem liberar a pequena bomba e esse cocô sai com consistência e cores normais para um bebê. Sem sinais de constipação ou outros problemas. E os incômodos desaparecem.  

E como podemos ajudar? Primeiro respire fundo. Essa incoordenação passa ao longo dos primeiros meses, à medida que eles vão crescendo. Logo eles aprendem a evacuar direitinho. Enquanto isso criar situações que ajudem a promover o relaxamento do seu filhote: banho (balde ou chuveiro são incríveis), pele a pele (barriga com barriga), sling, massagens (movimentos circulares na barriguinha, bicicletinha com as pernas, shantala), manter em posição de cócoras e nunca oferecer nada ao bebê além do leite! Na dúvida contate o profissional que faz acompanhamento para descartar qualquer outra possibilidade. 


Luciana Morais
Enfermeira
Especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Gestantes e Bebês X Pets


 

Com a descoberta de uma gestação ou a chegada de um bebê, muitos casais que têm pets em casa se veem numa situação complicada: “E agora? Vou ter que doar meu bichinho!” Por influência das falas de amigos, familiares e até sob orientação médica, alguns se desfazem mesmo de seus companheiros de longa data... Isso acaba por gerar um clima de muita tristeza num momento que deveria ser de extrema felicidade. Ademais, cães, gatos e até pets exóticos como coelhos e algumas aves desenvolvem laços afetivos muito fortes com seus tutores e essa separação é extremamente dolorosa para eles também. Mas será que é mesmo necessário se desfazer do bicho? É seguro que a gestante e, posteriormente, a criança tenham contato com animais de estimação?

As respostas para essas perguntas parecem muito claras, mas ainda há muita insegurança em torno dessa questão. E eu digo que sim, é absolutamente seguro para gestantes, crianças e até bebês terem bichinhos em casa. Não só é seguro, como pode ser extremamente benéfico para a saúde de toda a família, tanto física quanto emocional. Animais são seres fantásticos e podem surpreender na presença de uma gestação ou de um bebê, demonstrando comportamentos protetores e de carinho. Além disso, a relação com um bichinho desde bem cedo na infância proporciona grandes oportunidades de aprender sobre respeito aos outros seres, empatia e noções de responsabilidade, cuidado com a vida e o meio ambiente.

É muito importante, porém, que alguns cuidados sejam observados e algumas “lendas” sejam desmistificadas:

- Essencial colocar as vacinas em dia e certificar-se de que não apresentem parasitoses intestinais, pulgas, carrapatos, piolhos e doenças de pele como sarnas e fungos;

- Todos os animais que têm contato com gestantes e crianças devem ser totalmente domiciliados. Aliás, até os que não têm contato, né? Rua não é lugar de bicho! Por isso, nada de “voltinhas” sem supervisão (pode passear! Só não pode ficar dando rolezinho sozinho). Isso evita que eles tenham contato inadvertido com situações que vão trazer problemas para dentro de casa;

- “Gato transmite toxoplasmose!” Bom... Sim e não. Gatos podem ser, de fato, hospedeiros do Toxoplasma gondii e responsáveis em parte por perpetuar a doença no ambiente. Porém, para se infectar, o gato precisa comer uma caça contaminada (ratinho, passarinho – a história ali de cima do bicho que sai para a rua, ó) e caso se infecte, ele só vai eliminar os oocistos nas fezes durante poucos dias em toda a vida dele. Além disso, esses oocistos, para se tornarem infectantes, precisam permanecer no ambiente por mais de 24 horas e, para nos contaminarmos, precisamos ingeri-los. Ou seja, muito improvável pegar toxoplasmose de um gato se a higiene da caixinha for feita com frequência e lavando bem as mãos depois. A maneira mais fácil de pegar toxoplasmose é – pasmem – comendo carne mal passada e verduras mal lavadas!

- “Ah, mas os pelos/penas vão causar alergia”. Pelos e penas só causam alergias naqueles que são alérgicos a eles. Nem todos vão desenvolver alergias e só testando mesmo para saber. Geralmente, essas reações são brandas e tendem a desaparecer com o contato. Algumas pessoas até apresentam alergias gravíssimas, o que é sim um problema, mas felizmente esses casos são bem raros. No entanto, estudos mostraram que crianças que tiveram íntimo contato com animais no seu primeiro ano de vida, têm metade da chance de desenvolverem episódios alérgicos depois de mais velhas do que crianças que não tiveram esse contato.

- É importante monitorar o contato das crianças muito novinhas com os animais, principalmente os de porte pequeno e os filhotes. Na fase em que os bebês já estão engatinhando e têm mais curiosidade, eles podem segurar com força, puxar os rabinhos, arrancar pelos e colocar a mãozinha nos olhos dos bichinhos, o que pode machucá-los gravemente. Além disso, a ação da criança pode se converter em uma mordida, um arranhão ou uma bicada como defesa.

Enfim, meu conselho final é: quem já tem um ou mais pets em casa, ao confirmar uma gestação e antes de receber o bebê em casa, consulte um médico veterinário de sua confiança. Por mais que o seu médico esteja ali para cuidar de você e só quer o seu bem e o da sua família, o veterinário é o médico do seu bichinho e o profissional mais capacitado para falar sobre saúde e comportamento animal. Além disso, estudamos saúde pública e zoonoses também! Estamos prontos para orientar e tirar todas as dúvidas a respeito do assunto. Observados os cuidados com higiene e segurança, essa relação só vai trazer benefícios a todos os envolvidos e gerar muitos momentos legais, dignos de vídeos e fotos para guardar por toda vida!


Lígia de Morais Gomes

Médica Veterinária - CRMV-MG12665

@ligia.acupet

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Exterogestação, até quando?


Já conversamos aqui no blog sobre EXTEROGESTAÇÃO. É um assunto recorrente nos meus cursos, consultorias, rodas de conversas. Porque entendo e reconheço a importância para o desenvolvimento saudável do bebê. Mas muita gente pergunta, até quando vai esse período de exterogestação? Mesmo quando pesquisamos, encontramos opiniões diferentes sobre o assunto. 

Por isso trago este vídeo para vocês, a fim de discutir até quando nossos bebês precisam ser "exterogestados"? Qual o significado disso no nosso dia a dia e deles? Como saber que estão prontos? Quer saber mais? Clica no vídeo e vamos conversar!!


___________________________________________________________________________________

 Vocês já conhecem o canal da Cheiro de Mãe no You Tube? 

Lá encontram, além de amarrações dos slings, vídeos sobre maternidade, amamentação, criação com apego, minha maternidade.... Tudo para ajudar a tornar a sua maternidade/paternidade um pouco mais leves e lembrá-los que não estão sozinhos nessa!


 Entrem, conheçam, compartilhem!

______________________________________

Luciana Morais

Enfermeira especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

sábado, 23 de maio de 2020

Parto Orgásmico

Este texto foi escrito a pedido de uma amiga, lá de Franca-SP, pra ser postado na página da equipe dela, Isis - Gestação e Nascimento.

Levanta a mão quem sabia que é possível sentir prazer e até mesmo ter orgasmos durante o parto? Chega mais pra saber!



Ao lermos relatos de parto de mulheres que vivenciaram uma assistência humanizada, não é incomum mulheres que relatam o momento sem dar ênfase à dor, ou contam a experiência como um momento de prazer, crescimento, transcendência, entrega, além e apesar da dor. Porém, infelizmente, esses relatos ainda causam estranheza diante de grande parte da sociedade, onde parto ainda é sinônimo de dor e sofrimento.
  

Vivemos em uma sociedade patriarcal, culturalmente machista, falocêntrica e opressora dos desejos femininos, principalmente quando falamos em sexualidade. Desde pequenas somos ensinadas como nos portar, a reprimir nossas pulsões e sensações. Não podemos nos tocar, é feio. É sujo.  O resultado é que crescemos sem conhecer e entender as capacidades e prazeres que nosso corpo, inclusive aquelas vindas do nosso útero, outrora tão conhecidas. Criamos, então, mulheres desconectadas com o próprio corpo, com o verdadeiro feminino.
Mas é impossível fazer de gravidez parto, amamentação, sem falarmos em sexualidade. Todos são processos intensos e intimamente ligados a sexualidade, não apenas por se situarem no mesmo local. Compartilham musculaturas, terminações nervosas, hormônios, sendo o principal e mais conhecido, a Ocitocina, também conhecida como “hormônio do Amor”, por estar presente em todas as relações humanas que envolvem sentimentos, e nas relações sexuais e orgasmo. Ocitocina está presente no momento do parto, levando as contrações uterinas, na amamentação, na ejeção do leite, e nos vínculos formados ao longo da vida.


E aí chegamos ao Parto Orgásmico. É possível, além da ressignificação da dor, sentir prazer ao parir? Um orgasmo? Ao conseguirmos voltar nosso olhar ao processo como parte da sexualidade humana, como já descrito acima, é possível entender como esse prazer poderia acontecer. Mas para além desse olhar, precisamos recuperar nosso feminino, o conhecimento de nosso corpo, nossos prazeres. É preciso entender o parto como um processo fisiológico e se permitir viver esse processo. Liberar o corpo ser livre para sentir.


É possível se preparar para um parto orgásmico? O primeiro passo é se livrar de cobranças e expectativas. Tudo que possa gerar tensões. Assim como no sexo, este é um momento de intenso relaxamento, o pico máximo de prazer feminino após um estímulo. A diferença entre dor em prazer no parto está, também, diretamente ligada à liberdade que a mulher tem em relação ao local de parto, à equipe, aos acompanhantes. Mulheres que são se encontram em um ambiente acolhedor, aconchegante, que lhe permite estar relaxada e conectada consigo mesma e com seu corpo tem maiores chances de alcançá-lo. Por isso uma equipe bem preparada e um ambiente adequado fazem toda a diferença no processo de parturição. Se entregar ao processo, respeitar as sensações e “pedidos” do corpo também são importantes para que se possa alcançar um estado de relaxamento capaz de proporcionar prazer. Prazer este que não é causado apenas pela passagem da cabeça do bebê no canal vaginal, mas por toda “explosão” hormonal, movimentos musculares e estímulos nervosos.
O mais importante, e lição que acredito que devemos levar de tudo isso, é entender a importância de resgatarmos o poder do feminino, a força do nosso útero, uma força transcendental, que atravessa gerações de mulheres. Conhecer o próprio corpo, o que lhe dar prazer. Se empoderar na construção do parto, para que seja um momento de respeito, de protagonismo, de segurança, em que possa, enfim, se entregar as maravilhosas sensações que a “partolândia” pode trazer.


” Sinto que Victor entrou na água, e me puxa pra apoiar nele. Me entrego, relaxo. Consigo respirar e voltar a concentrar. SAI, JOANA! Falo, e escuto risos. E a cabecinha sai. Ah! Fico ali, acariciando a cabecinha enquanto ainda não consigo acreditar. (...) Não sei dizer quanto tempo estivemos assim. Sinto Joana mexendo dentro de mim. Me dá muito nervoso aquela sensação. Porque não sei explicar o que sinto. Sinto todo meu corpo respondendo àqueles movimentos, àquela sensação. Cada músculo. (...) Caraca, que é isso? Como descrever? Apenas sentir.”
                                                           Nascimento Joana – PDAC (Parto Domiciliar após cesarea)




Luciana Morais
Enfermeira Especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Seu bebê nasceu "cremosinho"?


O corpo dos bebês é recoberto por uma substância gordurosa, branca, chamada Vérnix Caseoso. Alguns nascem lambuzados, outros "mais limpinhos". Fatores como a idade gestacional interferem nessa quantidade ao nascimento. Ele é produzido por volta do terceiro trimestre de gestação e auxilia na maturação da pele do bebê. Também auxilia lubrificando o corpinho do feto, facilitando sua passagem no canal de parto e também sua adaptação no meio externo, uma vez que mantém a hidratação da pele.
O vérnix também contem proteínas e vitaminas, além de servir como protetor contra infecções, tanto por componentes antimicrobianos quanto por proteção mecânica. Auxilia, ainda, na manutenção da temperatura corporal do recém nascido após o parto.
Desta forma, o vérnix não deve ser removido nas primeiras horas de vida (preferencialmente nas primeiras 12 horas, mas no mínimo 6 horas), devendo o RN ser secado delicadamente após o nascimento. Salvo situações onde há risco de contaminação por doença materna. Ou seja: sem pressa para banhar os pequenos!

E aí, seu bebê nasceu cremosinho?

domingo, 10 de maio de 2020

Quando Nasce uma mãe?


Nasce um bebê, nasce uma mãe...mas, será mesmo? Em que momento nos tornamos MÃES? Será mesmo que a maternidade nasce somente com a chegada física do bebê para todas as mulheres? Mães são somente aquelas que tem os filhos em seus braços?
A construção da maternidade é um processo complexo e envolve muito além do bebê formado nascido. Ela surge em momentos diferentes para mulheres diferentes, e até mesmo para uma mesma mulher, em momentos diferentes da vida.
O que envolve o tornar-se mãe? Quais sentimentos? Uma mulher pode se tornar mãe a partir do momento em que recebe o positivo no exame, algumas já o sentem antes mesmo. Outras vão construir essa relação e esse sentimento ao longo da gestação ou mesmo durante o parto, quando tem em seus braços seu filho pela primeira vez. Temos ainda mulheres que construirão esse relacionamento ao longo dos primeiros dias ou mesmo semanas de vida do bebê.  Qual está certo? Todas estão! Todas são mães, da mesma forma, com a mesma intensidade. Não existe um “mãezímetro” ou uma regra de em qual momento você deve se sentir mãe ou como é esse sentimento.
Mulheres que sonham com uma gestação vão sentir com mais intensidade desde o começo, enquanto outras, pegas de surpresa por uma gravidez não planejada, ou fruto de uma violência, podem demorar mais para construir esse vínculo. E tudo bem. Senão, o que seriam das mães adotivas, com o coração tão cheio de amor, uma maternidade que se constrói ao longo de anos de espera, com um olhar, um abraço.

O que não podemos e julgar mulheres por isso.

E não podemos, também, nunca, ignorar aquelas mães que, por algum motivo, não tem seus filhos por perto, ou minimizar sua maternidade ou seu sentimento.
E essa e a reflexão que trago nesse dia das Mães. O que te torna mãe? A maternidade tem a ver com toda construção que envolve aquela gestação. Tem a ver com a expectativa, com os sonhos que foram criados. Lembremo-nos de todas as mães que, por algum motivo, não podem estar comemorando com a cria presencialmente, mas as tem no coração, sempre. Mãe é mãe, não importa se 6 semanas de gestação, ou 1 mês fora da barriga. Mãe é mãe a partir do momento que escolhe ser.
Esse dia é de todas nós, pois a maternidade não tem fim, é eterna em nosso coração. Marca nossa vida, nosso corpo e nossa alma, pra sempre.

Em lembrança do pequeno Ariel, que tão pouco esteve comigo, mas em 8 semanas mudou nossas vidas, me preparou para uma nova maternidade que tão logo viria. E é sempre lembrado.  


Luciana Morais
Enfermeira, especialista em Saúde Materno Infantil e Aleitamento Materno
Mãe do Arthur, da Alice, do Ariel e da Joana